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NO DIA MUNDIAL DA EDUCAÇÃO, PROFESSORES CONTAM COMO SEUS MESTRES LHE INSPIRARAM

Laíza, Arthur e João Gabriel foram alunos de Fernando, Ricardo e Lisânias e agora dividem a sala de aula com seus antigo

Os professores Fernando Ribeiro e Laíza Souza Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

‘Por meio ponto, o mundo ganhou uma professora’

Fernando Ribeiro e Laíza Souza: ele a ajudou em Topografia, disciplina que hoje a antiga aluna também leciona

O fato de ter sido uma das melhores alunas na escola em que cursou o fundamental não foi suficiente para Laíza Souza chegar tranquila ao Liceu de Artes e Ofícios, onde fez o ensino médio integrado ao ensino técnico em Edificações. Logo no primeiro semestre, ela precisou fazer provas de recuperação em três disciplinas. Uma delas foi Topografia, ministrada por Fernando Ribeiro.

“Eu estava num momento de muito desgaste, fiz a prova e entreguei. Comecei a chorar. O Fernando olhou e me acalmou. Vi ele corrigindo a prova. Dava 5,5 e a média era 6. Comecei a chorar ainda mais. Ele não disse nada, só colocou um 6 bem grande. Me deu o meio ponto que valeu minha vida.”

A atitude de Fernando fez com que o desejo de ser professora, um sonho de infância que havia sido esquecido na adolescência, voltasse à tona. “Porque entendi que lecionar era também não deixar os alunos desistirem. E era isso que eu queria fazer.”

Hoje, dez anos após o episódio, é exatamente isso o que Laíza faz. Na sala de aula em que leciona Topografia (sim, a disciplina que quase a fez desistir do curso), ela cede um tempo da aula para conversar com os alunos sobre temas sem nenhuma relação com o conteúdo programático. “Meus alunos têm entre 15 e 17 anos, e enfrentam os mesmos problemas e dilemas que eu tive. Escuto a história de vida deles e também conto como cheguei até aqui.”

Aos 24 anos, Laíza é professora no Liceu desde 2016, quando participou de um processo seletivo que incluiu uma aula-teste avaliada por Fernando, atualmente coordenador-geral do ensino técnico no colégio. No cargo de gestão, pode-se dizer que instituiu o “aprendizado pelo afeto”. “Não acredito em ambiente de aprendizado que não tenha afeto. É do docente pela carreira, pelo aluno, pela instituição que trabalha. É do aluno pelo aprendizado, pelos colegas, pela escola”, elenca o professor.

E, assim com Laíza, Fernando – 48 anos de idade e 15 de magistério – se lembra daquele meio ponto. Mas, diferente de Laíza, não acredita que a decisão de arredondar a nota tenha salvado a vida da aluna. “Fomos nós que ganhamos. Por meio ponto, o mundo ganhou uma professora. Educação não é cálculo, transcende qualquer lógica numérica.”

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Ocimara Balmant , Especial para o Estado

28 de abril de 2019 | 16h38